Cesário verde

“É indispensavel ter conhecido intimamente Cesario Verde para conhecel-o um pouco. Os que apenas lhe ouviram a phrase rapida, imperiosa, dogmatica, mal podem imaginar o fundo de tolerancia espectante d’aquello bello e poderoso espirito. Ele tinha o furor da discussão – a toda a hora.” 

in O Livro de Cesário Verde, publicado por Silva Pinto, Lisboa, 1887 [edição fac-simile comemorativa dos 500 anos da Biblioteca da Universidade de Coimbra, 2014] 

cesÁRIO VERDE

Ponto de Encontro: Praça do Comércio (junto ao Arco da Rua Augusta)

Fim: Praça dos Restauradores

As deambulações de um poeta incompreendido pela Lisboa do seu tempo.

Guiados pelas suas palavras, impressões e sentimentos seguimos os passos da sua curta vida e obra poética. A história da cidade durante o século XIX, com as suas profundas alterações no âmbito social e económico reflectem-se na poesia de Cesário: o impacto das epidemias, os bairros pobres, as condições laborais, a sua rara convivência nos cafés da moda e a ostracização de poetas, escritores e jornalistas. Poeta moderno, simbólico, realista? Mestre de Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, os seus poemas são lidos e sentidos por Fernando Pessoa e confundem-se com a Baixa lisboeta.

Passeios Combinados

Cesário Verde e Eça de Queirós

Dois escritores da mesma geração, um frequentando a alta roda, os meios diplomáticos e intelectuais, o outro dedicado ao comércio e escrevendo nas pausas disponíveis do seu quotidiano. Eça será o grande introdutor do realismo na literatura. Cesário, embora verde, fará exactamente o mesmo na sua poesia de pinceladas realistas sobre o que observa desde a sua loja ou nas deambulações por Lisboa. O nosso desafio é combiná-los e passear com os dois escritores que em vida talvez nunca se tenham cruzado, palmilhando as mesmas praças e descobrindo amizades comuns.

Início: Cais do Sodré (Junto ao Rio)

Fim do Percurso: Praça dos Restauradores

Cesário Verde e Fernando Pessoa

Procuremos o espírito de Cesário Verde na velha baixa lisboeta de escritórios e armazéns onde a figura de Pessoa se confunde com a de Bernardo Soares. Afinal Cesário Verde é o “pai” dos heterónimos de Fernando Pessoa e o mestre de Alberto Caeiro e Álvaro de Campos. Combinar estes dois poetas é lógico. O génio de Pessoa e Cesário mistura-se ainda num Sentimento e numa Mensagem que tardam em ser descodificados tantos anos volvidos após a morte física mas não poética.

Início: Praça do Comércio (junto ao arco da Rua Augusta)

Fim do Percurso: Praça dos Restauradores