Padre António vieira

“ (…) os ladrões de que falo, não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este género de vida (…). O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera (…). pág. 86

“Não são só ladrões, (…), os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título, são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam.” pág. 87

– Padre António Vieira, Sermão do Bom Ladrão (1655) proferido na Igreja da Misericórdia

in História e Antologia da Literatura Portuguesa – século XVII, nº 37, edição Fundação Calouste Gulbenkian, 2007

Ponto de Encontro: Largo Trindade Coelho (junto à Igreja de São Roque) 

Fim: Praça dos Restauradores

O imperador da língua portuguesa

 A vida de Padre António Vieira durou quase tanto quanto o século XVII. Ainda é um tempo por descobrir em Lisboa, capital de um império em declínio, a sentir as incertezas do fim de uma união ibérica. António Vieira chega a Portugal como pregador mas é como diplomático que viaja pela Europa a angariar apoios para a causa de D. João IV. As suas palavras e sermões levam-nos a percorrer a cidade pré-terramoto, da Capela Real a São Roque, bastião jesuíta. Polémico, vanguardista, defensor de índios, negros e hebreus, controverso, inquieto? Os seus sermões serão os nossos guias.